sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Comentando os zines do artista Ian Rocha!


Seguindo as resenhas sobre os fanzines, o zine de hoje é o “Ninguém Presta!” de Ian Rocha (A5, 12p, p&b, 2010) e "As 100 melhores capas de Ninguém Presta"

~Ninguém Presta!” (2010)
Para começar, adorei o texto de apresentação, sincero. Eu também pensei que fazer zine seria mais fácil, mas tem o desenho, tem o custo das canetas, o "tirar do próprio bolso" para xerox, correio e tudo mais. Mas também é de fato nosso espaço de expressar nossa arte!
O zine é recheado de quadrinhos e contos, uma inspirada em uma HQ do Mutarelli; outra em poema de Augusto dos Anjos; uma sobre a árvore (o ato banal de cortar uma arvore centenária); tem também “mini contos”, um inspirado na carta da Justiça do tarot (justiça com as próprias mãos), e um do cão policial e sua fidelidade não recíproca trazem a dimensão do nigredo humano, a de que "ninguém presta", entretanto, em cada narrativa sempre há sinais de uma redenção: como a vontade de viver do Solon; o lampejo de arrependimento do moribundo; do filho que se agarra à árvore; do cão sempre fiel e uma idosa em busca de companhia.
Ao final, uma tirinha satírica e reflexiva sobre a arte, a qual eu marcaria a alternativa "F" (o gabarito confere, Ian?)

~No superzine
"As 100 melhores capas de Ninguém Presta"
Sim Ian, a vida ruim imita arte ruim! Eu diria mais: a vida ruim gera "arte" derivativa o que implica que a pseudo arte é fruto de uma vida falsa, de uma pessoa morta em vida que chama de arte suas criações imitativas, rasas, sem visceralidade, morta.
Não tenho tempo de vida para gastar com este tipinho de pseudo arte. E você meu amigo, faz arte genuína!
Sobre o poema Auto-referência, achei massa a ideia de se fazer capa de revista! Sim a piada de si mesmo é uma forma de se sacanear antes e assim tira o prazer de que o outro zombe de nós, já que nós mesmos já o fazemos (e muito melhor porque sabemos o limite do que dizer, do que é obvio e guardar o que ainda não sabem de nosso podres)
sobre os problemas de auto estima do artista, abomino "livros de auto ajuda" para qualquer fim ou “segmento”, mas atente que a terapia do artista em seus traumas, complexos e limitações é o ato do PROCESSO CRIATIVO! A arte cura!
Adorei as poesias freaks Deuses Chapados, Ayrton, Poema 18 e todos os "anúncios despublicitários e desinfográfico! 
E que bela a homenagem à imprensa brasileira! 
O "Estudo para materialização de devaneio" é bem didático, e só em ler me senti um pouco ébria... E penso que o esquema sirva para materialização de outros devaneios e desejos na vida... Vale o teste!
Fica faltando meu comentário sobre um outro superzine do Ian que curti muito, o “O jardim das delícias terrenas”, postarei ao longo da semana!
Contato do Ian Rocha: ianrochaatelier@gmail.com
Agora os zines do Ian Rocha são parte do acervo da Fanzinoteca itinerante da IV Sacerdotisa! Envie seu zine também!
IV Sacerdotisa

Danielle Barros é IV Sacerdotisa da Aurora Pós-Humana, poetisa, desenhista e fanzineira. Bióloga de formação, mestre em Ciências e Doutoranda em Ensino de Biociências e Saúde (IOC-FIOCRUZ). Criou os fanzines Abismos do Lobo (2013), Sibilante Grimoirezine Poético Filosófico (2014), HQcrônicas e Sagrado Femizine (2015).