quinta-feira, 19 de novembro de 2015

CRÍTICA ao texto "A verticalização de Mauricio de Sousa" de Paulo Ramos

Hoje o Facebook me lembrou de um texto que escrevi em 2013 e continua atual. 
Foi assim, Paulo Ramos postou um texto dele intitulado  "A verticalização de Mauricio de Sousa", pensei "nossa, seria um texto criticando o monopólio de Maurício de Sousa no mercado de quadrinhos brasileiros?" Ledo engano.
O texto de Ramos tinha sido publicado no site ligado a Carta Capital, neste link http://www.cartaeducacao.com.br/defredir/ mas saiu do ar. (Por que será?)
Agora pode ser lido aqui: http://www.cedca.rj.gov.br/NoticiaDetalhe.asp?ident=87 publicado em 21/11/2013.

Segue meu comentário:

O artigo traz um panorama das produções de Maurício de Sousa e seus investimentos para ampliação do seu público.
Mas pelo título pensei que fosse um artigo crítico em relação à "verticalização" (algo que vem imposto de cima para baixo), algo comum em ações governamentais, institucionais e afins.
Eu aprendi a ler com os gibis da Mônica, adoro os gibis de MS, mas essa busca para cobrir todos os públicos torna a oferta de HQs homogênea e tira a diversidade de HQs monopolizando o mercado com as produções do Maurício, sendo que no Brasil existem inúmeros tipos de expressões artísticas e experimentações em quadrinhos, tanto no próprio mainstream quanto no âmbito de artistas independentes.
O texto falou dos infindos segmentos que Maurício de Sousa tem conquistado (estilo mangá, grafic novel, gibis tradicionais; e seus públicos: adulto, jovem e infantil, etc), mas faltou mencionar as séries Educativas "Saiba Mais" que é outro setor que ele tem investido muito.
Sobre isso, acho que um educador ou instituição que queira usar gibi na sala de aula não precisa contratar MS para fazer a HQ (sei de alguns exemplos) e sim usar as que já existem na perspectiva pedagógica, entre elas, a de que o aluno crie sua própria HQ!
Algo que eu recomendava muito a colegas professores era o site "Máquina de Quadrinhos" do Maurício de Sousa, onde qualquer pessoa poderia montar sua HQ, tornando o leitor protagonista e criador. Qual não foi a minha surpresa, o site foi retirado do ar! Ou seja, ali sim poderia haver uma "horizontalização" das HQ, a produção de quadrinhos "das pessoas para as pessoas", mas infelizmente a sensação que tenho é que o interessante para MS não seja a de fomentar criadores e sim "dar tudo pronto" o que pouco contribui para o processo educativo e criativo do aluno/leitor e da semente daquele que poderia se tornar um artista/escritor/desenhista.

Danielle Barros Fortuna

(19/11/2013)