quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Em memória de Vitor Pinto, menino indígena assassinado aos 2 anos de idade, à seus familiares e à todos os indígenas do Brasil

ATIVIDADE PARA "COLORIR" - pinte a criança morta



Não farei “textão” não. Deixo que a imagem fale por si mesma.
Queria entender uma coisa, matam centenas de pessoas na França: de repente todos mudam o avatar. Menino sírio morto encontrado na praia, viraliza a foto, comoção geral. Hashtags#somostodosmeninosirio
Uma garota participante de programa culinário recebeu assédio sexual: indignação nacional, pauta de todos os jornais. Certo, todas essas questões são pertinentes e devem ser mesmo problematizadas, mas a invisibilidade disto me incomoda profundamente:
UM MENINO É MORTO ENQUANTO MAMAVA NO PEITO NA MÃE em plena luz do dia!
Ah, sim, foi manchete nos telejornais locais, por alguns dias, mas cadê toda aquela comoção nacional?
Isso não aconteceu na França, nem na Síria, é AQUI!
AH...mas ele é ÍNDIO!
Enquanto tantas mulheres fazem campanhas para poderem amamentar em público, a mãe do Vitor Pinto queria que seu filho não fosse assassinado na hora da amamentação.
Por que isso não vira protesto nacional e TOP número 1 de hashtag???
Não entendo!!! Cadê a revolta?
Muitos sequer souberam da notícia. Mas fico me perguntando, por exemplo, se na época dos mais de 1 milhão de pessoas nas ruas na época dos “20 centavos”, como as pessoas conseguiram se comunicar e se organizar em prol de algo - e para isso acontecer não dependeu da veiculação de notícias na grande mídia para se organizarem.
Vejo também muitos adeptos de movimentos ligados aos índios como o xamanismo, círculos sagrados, etc, gente que adora acessórios, cocares, brincos, tambores, se vestir de índio, mas na hora da mobilização de fato, essas pessoas e suas páginas de facebook, blogs, sites, estão CALADOS.
E para quem soube e acha NORMAL uma atrocidade dessa acontecer, acha que é “só mais um índio morto”, para quem acha que os índios são uma “subraça”, só tenho a dizer que vocês são desalmados e a vida já terminou para vocês.
Eu realmente estou chocada, revoltada, atônita, triste, e como mãe me solidarizo por esta família, como filha de índio que sou, também.
Disse que não me alongaria, mas...termino por aqui.
Danielle Barros