sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Cura Cósmica: Resenha do EP e do videoclipe Aforismo I pela IV Sacerdotisa

O Ciberpajé inicia o novo ciclo de 2017 nos brindando com lançamentos valiosos que são parte do Projeto Ciberpajé, dos quais comentarei aqui, um é o EP "Cura Cósmica" lançado pela Lunare Music (SP) com participação do Ciberpajé e de seu pai Dimas Franco, o Granciberpajé; e o clipe do Aforismo I do EP, criado pelo Ciberpajé, por Anésio Neto (doutorando em artes pela UnB) e Daniel Rizoto (mestrando em artes pela UFU) e Diogo Vilela (doutorando em biologia pela USP).
O EP ficou soberbo, são 3 aforismos musicados, com voz do Dimas Franco e faixas sonoras criadas pelo POSTHUMAN TANTRA para o projeto Ciberpajé - o Posthuman Tantra é a banda de Edgar Franco! É importante mencionar a multiplicidade transmídia em que o Ciberpajé tem criado no contexto de seu universo ficcional “Aurora Pós-Humana”, que abrange obras em quadrinhos, HQtrônicas, músicas do Posthuman Tantra, instalações em arte e tecnologia, entre outros, e os aforismos são um dos destaques que faço nessa resenha. Os Aforismos do Ciberpajé são reflexões que Franco tem feito sobre a vida e nos últimos 5 anos tem publicado em rede social em seu perfil e página “Aforismos do Ciberpajé” e publicados no Jornal do Pontal (versão digital e impressa) em uma coluna semanal. São pensamentos, reflexões, provocações acerca de questões humanas e pós-humanas segundo o ideário do Ciberpajé. Os aforismos já se mixaram à linguagem dos quadrinhos, se tornando HQforismos, e recentemente foram apropriados nas músicas do Posthuman Tantra no projeto Ciberpajé que envolve a participação de artistas de todo Brasil.
Ouça e baixe o EP Cura Cósmica aqui.

Capa do EP "Ciberpajé - Cura Cósmica", arte do Ciberpajé Edgar Franco.

Encarte do EP com os 3 aforismos recitados nas músicas por Dimas Franco.

O Aforismo I aborda sobre o caráter mutante e fluido do ciclo da vida, de estarmos plenos e integrados ao todo. O som nos faz flutuar, é como um entoar xamânico que nos enleva e nos conecta ao nosso Eu Superior. A voz do Granciberpajé lembrou-me os pajés, uma voz de sabedoria, que nos conduz à comunicação entre o cosmos interior e outros mundos.
As criações do Ciberpajé sempre trazem uma ligação entre a natureza e a tecnologia, que também é parte dela, os sons de flauta xamânicos se misturam aos sons dos bytes cibernéticos, para lembrar-nos que não existe passado e futuro, que tudo se mistura e acontece no agora, em coexistência. A batida do coração a meu ver, representa o foco no agora, o pulsar que nos faz sentir vivos, mas somente é vivo aquele que está presente no momento que eclode, no instante mágico do agora. Senti muita paz ao ouvir essa música, e a única coisa que não gostei, foi quando percebi que ela havia terminado (a faixa).
Este texto não tem a pretensão de esgotar os comentários sobre as obras (EP e clipe), pois seria impossível (e chato rs) se essa fosse a intenção, ademais, as obras de arte sempre ensejam leituras diversas e inesperadas, segundo o repertório cultura e de vida de cada um.
Aqui abro parênteses para comentar o clipe: Foi gravado em uma cachoeira mágica de Ituiutaba (MG) e contou com a co criação, do Ciberpajé, com Anésio, Daniel, Diogo e Sr. Dimas,  como já mencionei. Assisti ao clipe sem expectativas, como sempre tento fazer quando me deparo com algum lançamento do Ciberpajé, e foi incrível, pois me encantei com a luz, as cores, a ambientação e o som da cachoeira. Essas três imagens (frames capturados do clipe) ilustram a beleza inicial que me impactou logo no começo do clipe:




Depois comecei a reparar nos simbolismos, o Ciberpajé sempre faz da sua arte um processo ritualístico de cura e com intencionalidades mágikcas, utiliza objetos como talismãs, amuletos, anéis que contem símbolos de totens, também utiliza estratégias como a do posismo dos princípios da magia ocultista de Paschal Beverly Randolph (como no clipe "The Reconnection: Werewolves Touching the Cosmos", leia a resenha), neste trecho, a simbologia das facas cruzadas me remeteu a um momento de abertura de portal, ou iniciação de ritual.


Foram diversos momentos chave de conexão, desde a pisada com pés descalços no chão, o toque nas águas do rio, quando a cachoeira se funde ao corpo do Ciberpajé como uma extensão de si mesmo, nos momentos de reverência a gaia, nos instantes de tamanha simbiose em que o homem se torna a mata:






Para não ser um comentário-decoupagem, pulo para o final, onde, depois que o Ciberpajé convoca para si as forças da natureza, da qual ele é parte, seu pai aparece como uma fusão através dos amuletos, - nesse momento tive uma grande surpresa, pois sempre pergunto detalhes do processo criativo e o Ciberpajé não havia comentado sobre a participação do Sr Dimas no clipe - então senti uma grande emoção em vê-lo ali, e sobretudo com todo significado que o clipe torna explícito que é o da conexão entre pai e filho, um ritual através da arte e natureza, em um processo de criação e cura, ressignificação, transmutação, amor profundo e incondicional.



Os dois lado a lado como uma imagem holográfica que quebra a ideia de passado-presente-futuro, como a representação não só de um “tempo” unificado, mas também da unificação do animal, vegetal, mineral, tecnologia, seres, gerações e vidas. Senti uma teia real de conexão ao todo. E no ato em que o totem lobo no anel é repassado de filho para pai, vejo como um fluxo dinâmico de energia que alimenta e retroalimenta o outro. Fiquei emocionada no final e até chorei, não só pela surpresa, mas porque lembrei de situações de vida, família, e pessoas com as quais nem sempre quero me ver conectada, porém, em meu íntimo sei que sou parte dos outros, que tenho muito que perdoar, e sobretudo, que agradecer a meus antepassados.
Por fim, destaco a nudez, que apareceu tão sutil, mas tão poderosa em seu simbolismo e significado, que é a de total desprendimento, entrega, conexão a Gaia, e reconexão à dimensão animal humana.


Vejo esse clipe como uma criação de arte, é genuíno, ritualístico, traz temas essenciais que, infelizmente, são pouco abordados. Não se trata de uma criação que visa atender uma demanda de público, não tem preocupação com audiência, nicho, nem expectativas.
Ver as obras do Ciberpajé me faz lembrar muito do artista chileno Alejandro Jodorowsky (com seus filmes, teatro e atos psicomágicos) também aborda sobre as questões humanas mais profundas, e principalmente atua na perspectiva de “arte como cura”.
Este clipe é, em suma, um ritual sigilo de arte-magia sobre o amor incondicional e reconexão cósmica que a tudo cura e conecta.
Parabenizo a todos os envolvidos na criação deste clipe, pela sensibilidade, criatividade, pelo olhar captado nas cenas (e fotografias dos ensaios), e dizer que o Ciberpajé tem sorte de contar com essa equipe de amigos-artistas, que sempre criam tantas coisas belas e pertinentes durante breves dias de férias na telúrica Ituiutaba! Gosto e respeito cada criação e jamais as comparo, mas é importante ressaltar: Esse é um dos clipes mais lindos que vocês já fizeram!
Parabenizar o Ciberpajé pela ideia e homenagem, e ao Sr Dimas por ser quem é, o pai que, ao lado de dona Alminda, sempre incentivou esse filho criativo amado e amoroso que tem disseminado essa arte necessária e verdadeira para o mundo, ajudando outras pessoas a se curarem.
Veja aqui o clipe:

Agora voltando a falar do EP, o Aforismo II, fala do dogma que aspira o amanhã, a ideia de um “futuro” ou uma recompensa que as religiosidades dogmáticas pregam (incluindo a do capitalismo), de que um paraíso ou um inferno sobrevirá no amanhã, sendo que a verdadeira transcendência só pode acontecer no momento presente. A ambientação futurista com a entonação grave do Granciberpajé nos traz a reflexão sobre nossas atitudes do agora, em detrimento das elucubrações da mente que nos tiram do presente.
O Aforismo III é pura energia na voz do Granciberpajé, é nos colocarmos como o que somos, como diz Crowley: “Nossa condição de sermos ESTRELAS”! Também me fez lembrar os princípios herméticos do Caibalion.


Comentando a capa do EP: O feto tem o cordão umbilical conectado com a nuca, me remeteu a imagem do ourobouros, e sua simbologia de ciclos que se renovam, reforçada pela presença da borboleta. O feto e seu formato também lembram o ovo cósmico, símbolo da vida e criação.








Uma resenha que tive a honra de fazer, de um dos EPs mais potentes criados pelo Projeto Ciberpajé e o clipe tão belo e forte quanto! Parabenizo a todos vocês pelas criações!

Saiba mais sobre o lançamento e ouça o EP "Cura Cósmica" aqui: http://ciberpaje.blogspot.com.br/2017/01/lancamento-ciberpaje-inicia-o-ano.html
Veja a postagem sobre o lançamento do video clipe: http://ciberpaje.blogspot.com.br/2017/01/lancamento-videoclipe-ciberpaje.html

Até hoje já foram 6 EPS, contando com este: A Invocação da Serpente (parceria com Each Second/SP); Lua Divinal (parceria com Gorium/MT); Heresia Cósmica (parceria com Léo da Heresia/ Brasília);O Estratagema da Aranha (parceria com Quando os Céus e os Oceanos Colidem/SP-PR); Verdades Voláteis (parceria com Sérgio Ferraz/PE) e o recém lançado "Cura Cósmica" parceria com Granciberpajé Dimas Franco.

Saiba mais sobre o projeto Ciberpajé, ouça e baixe também os EPs realizados com musicistas de 4 regiões do país e lançados pela Lunare Music:

A Invocação da Serpente (parceria com Each Second/SP)

Lua Divinal (parceria com Gorium/MT)
Heresia Cósmica (parceria com Léo da Heresia/ Brasília)

O Estratagema da Aranha (parceria com Quando os Céus e os Oceanos Colidem/SP-PR)
Verdades Voláteis (parceria com Sérgio Ferraz/PE)

Quem sou eu:



Danielle Barros é a IV Sacerdotisa da Aurora Pós-Humana, artecientista, bióloga (UNEB), mestre em Ciências (ICICT/Fiocruz) e doutoranda em Ensino de Biociências e Saúde (IOC/Fiocruz). Atua como arte educadora com quadrinhos e fanzines no ensino de biociências e saúde. Escreve poesias, ilustrações, quadrinhos e fanzines.